segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Exercícios para aliviar a dor do último trimestre e preparar o corpo para o parto

Curta o barrigão com menos desconforto e treine seus músculos para a hora do nascimento do seu filho

O último trimestre da gravidez é um misto de ansiedade e curtição. Você já está ansiosa para ter seu filho nos seus braços, enquanto curte os últimos dias com o barrigão e cada movimento do bebê. Mas, entre um chute aqui e outro ali, pode surgir desconfortos causado pelo peso extra. Por isso, é importante fazer alongamentos e exercícios, que preparam seu corpo para o momento do parto.
Segundo a fisioterapeuta Vanessa Marques, durante a gravidez é importante eleger uma atividade física que não exija demais do corpo, além de se alongar e trabalhar a consciência corporal. Essa última recomendação vale especialmente para a região abdominal e pélvica, que você precisará controlar durante o trabalho de parto. A fisioterapeuta Maria Valéria Corrêa e Castro Campomori, professora da PUC-Campinas, dá a dica: “Uma vez fortalecidos, os músculos se relaxam mais facilmente e, além disso, voltam mais rápido ao normal no pós-parto”. Não esqueça de consultar o seu médico antes de começar qualquer exercício.

Para aliviar o desconforto

Inchaço: Faça movimentos circulares com os pés e as mãos. Assim você ativa a musculatura da perna e do braço, o que ajuda na circulação sanguínea e diminui a retenção de líquido. Também evite passar muito tempo na mesma posição, seja em pé ou sentada - e uma vez por dia coloque os pés para cima, com as pernas esticadas por alguns minutos.

Dor nas costas: Se você trabalha ou passa muito tempo sentada, garanta que está com a postura adequada: coluna ereta, joelho com ângulo de 90º e apoio para os pés. Em casa, para alongar, deite de costas sobre uma superfície acolchoada e traga o joelho em direção à barriga. Outra posição é sentar-se de joelhos, apoiar o bumbum nos calcanhares e esticar os braços para frente até onde a barriga permitir. Depois, espreguice-se esticando as mãos para o alto e pendendo o corpo para um lado e, depois, para o outro. Não se esqueça de soltar o ar a cada movimento.

Sola dos pés: Por conta do peso extra, você pode ficar com o pé chato. Para evitar esse problema, exercite os músculos tentando pegar uma bolinha com os dedos ou enrugando um tapete. Andar na praia, com água até o joelho, também ajuda!

Preparando o corpo para a hora H


Assoalho pélvico: O movimento que você precisa fazer é semelhante ao de segurar o xixi. Para perceber qual músculo você precisa trabalhar, experimente fazer isso com a bexiga cheia. Depois é só repetir o movimento com a bexiga vazia – porque grávida nenhuma merece ficar segurando o xixi de verdade!

Respiração: Ter uma boa capacidade respiratória é importante para o parto normal. Para treinar o fôlego, você pode usar uma faixa elástica, segurando cada ponta em uma mão, girando o tronco para o lado. Na ida, puxe o ar, e na volta, solte.

Coxa e quadril: Para alongar essa região, você pode fazer borboletinha com as pernas ou sentar com as costas encostadas na parede e abrir a perna em V o quanto conseguir. Esses alongamentos ajudam a suportar a posição em que você ficará durante o parto.

Força para os primeiros dias

Nada mais gostoso do que carregar seu bebê. E você vai querer ficar com ele no colo por muito tempo olhando para o seu rostinho. Por isso, é preciso ter força! Para preparar os membros superiores, pegue um pesinho (que pode ser uma garrafa de água de um litro), deixe os braços rente ao corpo e flexione-os, levando o pulso voltado para cima em direção ao peito. Faça duas séries de 12 vezes.

Depois da chegada do bebê, muitas mulheres sentem dor na região cervical, por causa da amamentação. Para diminui-la, movimente o ombro, girando para trás, e alongue o pescoço, inclinando-o para as laterais.

Fontes: Maria Valéria Corrêa e Castro Campomori (professora da PUC-Campinas) e Vanessa Marques (fisioterapeuta)

domingo, 19 de agosto de 2012

Parto Natural: Uma opção saudável


O parto natural é uma forma da mulher conhecer seu corpo e sentir como, mesmo em tempos modernos, é possível ter uma experiência única e gratificante no momento do nascimento do seu filho. Escolher um parto natural não significa abrir mão da tecnologia disponível atualmente, mas sim utilizá-la de modo criterioso para que não aumente os riscos para a mãe e para o bebê.

Para as mulheres que fazem essa opção, ter um parto natural significa propiciar para o seu bebê um nascimento com menos riscos, acolhedor, diretamente do ventre para o colo, sem luzes fortes e manipulações desnecessárias.

A grande maioria das mulheres é capaz de dar à luz sem intervenções, isto é, sem a interferência de medicamentos, anestesia ou cortes na região perineal, conhecida tecnicamente como episiotomia. No entanto, ter um parto natural no Brasil não tem sido uma tarefa fácil. Nosso país ocupa o primeiro lugar no ranking de cesarianas do mundo. Em muitos hospitais particulares as taxas desse procedimento atingem valores superiores a 90% dos casos!

Nesse contexto, ainda temos outro agravante. Os poucos partos normais realizados são feitos em sua maioria com muitas intervenções, ou seja, não são partos naturais que respeitam a fisiologia do nascimento.

As práticas intervencionistas no parto normal começaram há muitos anos quando os médicos assumiram o lugar da parteira na assistência ao nascimento. A posição vertical para o parto foi substituída pela posição ginecológica (deitada com as pernas presas em apoios). O corte no períneo (episiotomia) para a ampliação do canal de parto passou a ser realizado indiscriminadamente e sem nenhum questionamento. Atualmente, as evidências científicas demonstram que esse procedimento, além de não trazer nenhum benefício para o corpo da mulher, pode provocar sequelas graves. Ainda assim, muitos profissionais que atendem partos continuam realizando a episiotomia em todas as mulheres que acompanham. Outra intervenção muito comum no parto normal é a aplicação do soro para aumentar as contrações (ocitocina), que além de provocar dores muito mais fortes do que as das contrações naturais, pode trazer vários riscos para a mãe e o bebê.

Em relação aos bebês, a grande maioria é separada da mãe e acaba passando por vários procedimentos que interferem negativamente no primeiro contato, fundamental para a formação do vínculo mãe e bebê e muito importante para o sucesso da amamentação. No parto natural, sempre que possível o bebê nasce e é colocado imediatamente no colo de sua mãe.

Mas se o parto natural é a opção mais saudável para a mãe e o bebê, porque ele ainda continua sendo uma grande exceção no Brasil?

São muitos fatores que influenciam esta situação. Alguns deles são a falta de experiência e habilidades dos profissionais em acompanhar esse tipo de parto, a imprevisibilidade do parto (o nascimento pode acontecer a qualquer hora do dia ou da noite e pode durar muitas horas), a falta de informação de muitas mulheres brasileiras sobre os riscos reais da cesariana e das intervenções no parto normal, a falta de informação sobre os benefícios do parto normal e principalmente, o medo da dor!

O que muitas mulheres não sabem é que a dor no parto natural tem um outro significado. Ela não pode ser comparada a nenhuma outra dor, pois está associada a um momento de alegria, de prazer, de muita emoção. Durante todo o trabalho de parto, os hormônios liberados contribuem para que haja um relaxamento e uma preparação do corpo da mulher para receber seu bebê. O nascimento é um momento de grande êxtase, onde a mulher sente um poder imensurável e a grande satisfação de trazer seu filho ao mundo de maneira ativa e saudável. A natureza em toda sua sabedoria criou mecanismos para que a dor das contrações seja suplantada pelo prazer do nascimento. Mulheres que tiveram um parto natural assistido, em um ambiente acolhedor, com profissionais que sabem respeitar a fisiologia do nascimento são unânimes em relatar: passariam por tudo novamente. Ainda acrescentam: “parir vicia” e sentem uma saudade muito grande desse momento!

Ainda em relação à dor, é muito importante lembrar que, além da grande ajuda da natureza, os profissionais que atendem partos naturais se valem de muitas técnicas para o alívio da dor, como suporte contínuo, massagens e o uso da água.

Dar à luz naturalmente é uma experiência única, cada contração no parto anuncia a proximidade do nascimento e, portanto, não é uma dor e sim uma alegria, um fortalecimento de ser mulher e de sentir o próprio corpo como algo sublime. A dor física e emocional de uma cesariana ou de um parto normal cheio de intervenções é, para muitas mulheres, muito maior que a dor no parto natural.

Como no Brasil o parto com cesariana é a forma mais comum de nascer, preparar-se para o momento do parto é muito importante para que o casal possa fazer escolhas conscientes para planejar o nascimento do seu filho, como o local do parto e a equipe que irá acompanhá-los, além de receber informações importantes sobre o trabalho de parto e os cuidados com o recém-nascido.

Márcia Koiffman e Priscila Colacioppo, enfermeiras obstetras e idealizadoras do Primaluz – Parteiras Contemporâneas.

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Fases do Parto

Saiba mais sobre o ritmo natural do trabalho de parto e aprenda a identificar cada uma de suas etapas, das primeiras contrações à saída da placenta. Conheça também as medidas de conforto e alívio da dor sugeridas para cada fase.

Por Luciana Benatti

Cada mulher é única. E cada parto, ainda que de uma mesma mulher, é também uma experiência singular. São vários os fatores que influenciam o trabalho de parto: a posição do bebê, a saúde e o histórico médico da mulher, suas expectativas e sentimentos com relação ao parto, as pessoas que estarão à sua volta para lhe dar suporte emocional, a equipe de assistência e até mesmo o lugar onde o parto vai acontecer.

Com tantas variáveis em jogo – algumas bem objetivas, outras nem tanto –, é impossível prever como será o seu trabalho de parto: há uma gama enorme de possibilidades, todas dentro da normalidade. Vale lembrar que estamos falando aqui do parto natural, fisiológico.

Para ajudá-la a conhecer melhor esse processo, descrevemos as fases do trabalho de parto, como são as contrações, como você poderá se sentir e o que pode fazer para ficar mais confortável.

Pródromos (pré-parto)
Podem durar dias ou semanas. A duração e a intensidade das contrações varia bastante. Você pode perder o tampão mucoso e sentir dores nas costas. Para algumas mulheres, os “sintomas” dessa fase são quase imperceptíveis. Para outras, causam dificuldade para dormir ou descansar.
Medidas de conforto: Um banho quente pode ajudar a relaxar. Se as contrações pararem quando você sair do chuveiro é sinal de que eram mesmo pródromos, ou seja, que ainda não é para valer. Procure descansar.

Fase latente
Pode durar de poucas horas até um ou mais dias. As contrações são em geral curtas (30 a 60 segundos) e relativamente espaçadas. De maneira geral, ainda é possível conviver bem com elas. Nessa fase, muitas mulheres também eliminam o tampão mucoso (às vezes com um pouco de sangue) e sentem dores nas costas. É comum ter de ir várias vezes ao banheiro para evacuar.
Medidas de conforto: É provável que você passe essa fase do trabalho de parto em casa, pois ainda é cedo para ir ao hospital. A companhia do marido, de uma amiga próxima ou de uma doula vai ajudá-la a se sentir mais segura, assim como manter contato por telefone com o seu médico ou parteira. Segure a ansiedade e procure dormir e se alimentar normalmente. Banhos de chuveiro e massagens ajudam a lidar com a dor das contrações.

Fase ativa
As contrações, mais regulares, duram um minuto ou mais. Você provavelmente não conseguirá se movimentar ou pensar em outra coisa durante uma contração. As dores na região lombar e/ou no baixo ventre se intensificam.
Medidas de conforto: É a hora de de preparar para ir para o hospital, caso tenha sido essa a sua opção. Massagens na região lombar serão bem-vindas, assim como frequentes mudanças de posição. Se você tiver uma banheira à disposição, não hesite em experimentar. Acredite, a imersão em água quente é um poderoso método natural de alívio da dor.

Transição
As contrações ocorrem a cada dois ou três minutos e duram de 60 a 90 segundos, ou seja, os intervalos entre elas são curtos. É um período muito intenso – talvez seja o mais intenso – de todo o trabalho de parto, física e emocionalmente. Em geral, é nessa hora que começamos a desconfiar da nossa capacidade de aguentar firme até o final. Você poderá se sentir inquieta, irritada, exausta. Tremedeira, náusea e vômito são comuns nessa fase, que vai até a dilatação total do colo do útero (10 cm).
Medidas de conforto: É muito provável que a esta altura você já esteja pensando em tomar anestesia. Medidas de conforto que até aqui ajudavam, como músicas relaxantes, massagens, palavras de incentivo ou mesmo um carinho do marido, podem se tornar absolutamente irritantes. A boa notícia é que a essa fase é mais curta do trabalho de parto e, ao final dela, seu bebê estará bem próximo de chegar. Procure se lembrar disso.

Expulsivo
Costuma durar desde algumas contrações até cerca de três horas. Você terá contrações fortes a cada três minutos. A dor diminui e é possível descansar entre as contrações. Você também poderá ficar mais lúcida e ativa. Conforme o bebê for descendo pelo canal de parto, sentirá uma pressão cada vez maior na vagina e no reto, junto com uma vontade incontrolável de fazer força. Quando a cabeça do bebê coroar, sentirá o “círculo de fogo”, ardor que acontece com distensão máxima do períneo.
Medidas de conforto: Muitas mulheres relatam nessa fase se sentir “sem posição”. Procure testar várias até achar a sua, ou seja, a que deixar você mais confortável para lidar com os puxos, aquela vontade incontrolável de fazer força. Entre um e outro, procure respirar e descansar. Você pode até dormir nos intervalos!

Expulsão da placenta
Acontece, em média, de 5 a 30 minutos depois do nascimento do bebê. As contrações são bem mais leves e espaçadas. O médico ou a parteira podem ter de massagear o útero para reduzir o sangramento, o que pode ser bem doloroso.

Recuperação
Dura cerca de uma ou duas horas num parto natural (sem intervenções médicas), não prolongado, nem difícil. Caso contrário, pode durar mais. Conforme o bebê sugar o seio, você poderá sentir cólicas: é o útero se contraindo para diminuir o sangramento e voltar ao tamanho normal. Nos primeiros dias, o sangramento é mais abundante do que o menstrual. Depois, vai diminuindo de intensidade e poderá durar de duas a quatro semanas após o parto, são os lóquios.

Fontes: Our Bodies, Ourselves – Pregnancy and Birth, The Boston Women’s Health Book Collecive; Márcia Koiffman, enfermeira obstetra.

sábado, 28 de julho de 2012

Convocação à MARCHA PELA HUMANIZAÇÃO DO PARTO


Convidamos aos cidadãos e cidadãs e instituições a participarem e apoiarem a MARCHA PELA HUMANIZAÇÃO DO PARTO.

A MARCHA PELA HUMANIZAÇÃO DO PARTO acontecerá em diversas localidades do país.
Em Floripa, acontecerá no dia 05/08/2012, com concentração às 14 horas na Pracinha da Lagoa da Conceição.

As bandeiras da MARCHA PELA HUMANIZAÇÃO DO PARTO são:

- Que a Mulher tenha o direito de escolher como , com quem e onde deve parir;

- Pelo cumprimento da Lei 11.108, de abril de 2005. Que a mulher tenha preservado o direito ao acompanhante que ela desejar na sala de Parto;

- Que a mulher possa ter o direito de acompanhamento de uma Doula em seu trabalho de parto e parto;

- Que a mulher, sendo gestante de baixo risco, tenha o direito de optar por um parto domiciliar planejado e seguro, com equipe médica em retaguarda caso necessite ou deseje assistência hospitalar durante o Trabalho de Parto;

- Que a mulher tenha o direito de se movimentar livremente para encontrar as posições mais apropriadas e confortáveis durante seu trabalho de parto e parto;

- Que a mulher possa ter acesso a métodos naturais de alívio de dor durante o trabalho de parto, que consistem em: massagens, banho quente, compressa, etc;

- Contra a Violência Obstétrica e intervenções desnecessárias que consistem em: comentários agressivos, direcionamento de puxos, exames de toque, episiotomia, litotomia, etc;

- Pela fiscalização das altas taxas de cesáreas nas maternidades brasileiras e que as ações cabíveis sejam tomadas no sentido de reduzir essas taxas;

- Pela Humanização da Assistência aos Recém-Nascidos, contra as intervenções de rotina;

- Que a mulher que optar pelo parto domiciliar tenha direito ao acompanhamento pediátrico caso deseje ou seja necessário.

Todas as nossas bandeiras são respaldadas por evidências científicas e recomendadas pela Organização Mundial de Saúde (OMS), Federação Internacional de Ginecologia e Obstetrícia (FIGO), Ministério da Saúde entre outras.

Chegou a hora de darmos um basta à mercantilização do parto e nascimento, não somos rebanho, não somos mercadoria, somos Humanos e temos o direito de receber nossos filhos cercados de amor, paz e, primordialmente, RESPEITO!

terça-feira, 3 de julho de 2012

LAURA GUTMAN NO BRASIL - EU VOU!

Pela primeira vez no Brasil, Laura Gutman estará em Florianópolis dia 01/09 e em São Paulo dia 02/09 para o seminário "O poder do discurso materno".
É autora de livros como "A Maternidade e o Encontro com a Própria Sombra", "Crianza, violencias invisibles y adicciones" e "La revolución de las madres", que exploram o universo da maternidade, os vínculos familiares e as dinâmicas violentas aos quais os seres humanos estão submetidos.
Desde 1996, formou mais de 300 educadores, médicos e profissionais em geral, objetivando construir uma nova visão acerca do problema da violência social e oferecer ferramentas concretas para assumir, com maios consciência, o trabalho que compete a cada um de nós na criação de um mundo menos violento e mais humano.
O seminário terá duração de 4 horas e é dirigido a mães, pais, professores, educadores, psicólogos, psicopedagogos, assistentes sociais, profissionais da saúde, profissionais das ciências humanas e todos aqueles que desejam contribuir para um mundo mais amável.

Mais informações em www.lauragutmannobrasil.blogspot.com.



quarta-feira, 27 de junho de 2012

Preparação para a chegada do bebê

Doulas podem melhorar seriamente sua gravidez e parto. Por favor, contrate uma doula antes de parir!!!
Efeitos Colaterais: Você pode ter uma experiência de parto melhor. Você pode experienciar uma grande sensação de empoderamento. Você pode ter menos intervenções e um menor risco de cesárea.
Lembrando que as Doulas não executam nenhum procedimento técnico, mas estudos mostraram que sua simples presença ao lado da parturiente, oferecendo apoio, incentivo e preciosas massagens para aliviar a dor, é suficiente para diminuir as intervenções e as cesáreas.






Fotos: Vicky Rodrigues
Local: Live Fit Pilates
Gestante: Jeniffer
Doula: Michelle

sábado, 2 de junho de 2012

Da Gestação ao Nascimento

Após 9 meses, aproximadamente 280 dias, 40 semanas ou 9 luas o bebê finalmente está pronto para nascer. O feto, completamente formado desde as 12 semanas, levou todo este tempo para crescer e amadurecer dentro do útero. No final da gravidez ele dá sinais que está maduro e inicia-se o trabalho de parto. Sua circulação é inundada de hormônios que sinalizam o nascimento iminente. As contrações uterinas massageiam o seu corpinho e dão a noção do ritmo. Finalmente, a passagem pelo estreito canal de parto comprime o tórax do bebê, auxiliando na saída do líquido amniótico presente em seus pulmões, boca e narinas. O bebê nasce, e enquanto permanece ligado à placenta pelo cordão umbilical que pulsa não há pressa em respirar. Nos braços da mãe, ele conhece o novo espaço, espirra, tosse e finalmente respira. Às vezes chora vigorosamente, às vezes apenas resmunga. Em alguns minutos, os pulmões expandem, a circulação fetal deixa de existir e a placenta não é mais necessária. O cordão umbilical para de pulsar e pode ser cortado. Enquanto isso, mãe e filho se reconhecem, trocam cheiros, o som do coração da mãe acalma o bebê, que lentamente começa a procurar o seio. Depois de mamar, o bebê adormece e descansa por um longo período, se recuperando dessa grande jornada. A sequência descrita acima foi planejada pela natureza ao, longo de milhares de anos de evolução. Infelizmente, este processo fisiológico não é respeitado na maioria das maternidades brasileiras. Aproximadamente 40 % dos bebês da rede pública e 80% da rede privada nascem através de cesariana. Grande parte deste número – principalmente na rede privada- correspondem 'as cesarianas eletivas (aquela marcada por conveniência do médico ou da mulher ). Nestes casos, o bebê não sabe que vai nascer. Não foi avisado pelo trabalho de parto, não recebeu os hormônios necessários, não sentiu o ritmo das contrações nem passou pelo canal de parto. Frequentemente estava dormindo no momento do nascimento. Tem que passar de feto a gente que respira em segundos. Seus pulmões, boca e nariz estão cheios de líquido amniótico. Só resta ao bebê aterrorizado a opção de chorar para expandir os pulmões e concluir à força o processo de transição. A criança é levada a um berço aquecido, onde é vigorosamente enxugada. Geralmente o pediatra introduz uma sonda em sua boca e narinas para aspirar as secreções. A criança é pesada, medida, classificada e identificada. Rapidamente é apresentada à mãe, que não pode segurá-lo porque tem as mãos presas na mesa cirúrgica. O bebê então é levado ao berçário, onde é colocado em um berço aquecido, observado pela família através de um vidro. Ali ele recebe um colírio de nitrato de prata, cujo objetivo é prevenir uma eventual conjuntivite pela bactéria causadora da gonorréia. É provável que suas pálpebras fiquem inchadas e doloridas em consequência do colírio. Ele recebe ainda uma injeção intramuscular de vitamina K, medicação usada para prevenir um distúrbio de coagulação. Através do vidro do berçário observamos o recém nascido, sozinho no berço aquecido. A agressão sensorial foi tamanha que muitos dormem, exauridos. Outros choram e se debatem, observados pela família orgulhosa.. Algumas horas depois, o banho. O recém nascido é lavado com água morna, na banheira ou sob a torneira da pia. É preciso lavá-lo e remover qualquer vestígio de sangue ou vérnix. É necessário que ninguém perceba que o bebê nasceu de um útero, lugar cheio de mistérios. A criança é vestida e finalmente será amamentada. A mãe recebe o pequeno estranho... que sequer viu nascer através dos panos estéreis da cirurgia. O pequeno estranho não tem seu cheiro, aliás cheira a algum produto químico. O pequeno estranho está sonolento, porque durante o período fisiológico de vigília estava no berçário. Depois de algum esforço, afinal consegue mamar. A natureza felizmente continua sábia e é através da amamentação que a mãe e o pequeno estranho vão enfim criar vínculos.

Texto escrito por Ana Paula Caldas (Neonatologista em Campinas/SP).

quinta-feira, 24 de maio de 2012

As 50 intervenções desnecessárias durante a gravidez, parto e pós parto !

1) Exames pré-natais não incluídos na rotina preconizada pelo Ministério da Saúde do Brasil (os exames recomendados são: grupo sanguíneo e fator Rh, sorologia para sífili...s - VDRL, hemoglobina e hematócrito para rastreamento de anemia, exame de urina tipo I, sorologia para HIV e hepatite B - AgHBs, glicemia de jejum, teste para toxoplasmose-IgM, colpocitologia oncótica se necessário).

2) Exames de efetividade discutível sem prévia discussão com a gestante sobre riscos e benefícios (p.ex. pesquisa de EGB (Estreptococcus do Grupo B)).

3) Prescrição de complexo vitamínico, sem uma indicação clara.

4) Ultrassonografias sem indicação clínica.

5) Dopplerfluxometria em gestação de baixo risco ou sem indicação clínica.

6) Ecodopplercardiografia (exame para avaliar o coração) fetal em gestação de baixo risco ou sem indicação clínica.

7) Cardiotocografia em gestação de baixo risco ou sem indicação clínica.

8) Teste oral de tolerância à glicose (TOTG) em gestação de baixo risco ou sem indicação clínica.

9) Cesariana eletiva sem indicação clínica e/ou sob falsos pretextos (ver lista das "Indicações das desnecesáreas).

10) Exames de toque antes do trabalho de parto, sem indicação clara.

11) Descolamento de membranas antes de 41 semanas de gravidez.

12) Descolamento de membranas sem prévia discussão e autorização da gestante.

13) Restringir a escolha do local de parto.

14) Desencorajar ou proibir o acompanhante/doula no parto da escolha da mulher, ou permitir a entrada de pessoas não autorizadas.

15) Internação precoce.

16) Exames de toque/remoção de rebordo de colo abusivos durante o trabalho de parto e de rotina.

17) Exames de toque/remoção de rebordo SEM o prévio consentimento da gestante.

18) Toque Retal.

19) Jejum, tricotomia (raspagem dos pêlos) e enema (lavagem intestinal).

20) Qualquer restrição à deambulação/liberdade de movimentos.

21) Estabelecer limites rígidos para a duração da fase latente, ativa e do período expulsivo.

22) Atrapalhar o processo fisiológico do parto, desconcentrando a gestante.

23) Monitoração fetal contínua ao invés de intermitente (onde o profissional ausculta o bebê de tempos em tempos com o sonar).

24) Uso rotineiro de soro com ocitocina/indução com misoprostol.

25) Uso rotineiro de analgesia de parto.

26) Oferecer ou insistir na analgesia de parto sem que a mulher a tenha solicitado.

27) Amniotomia de rotina (rompimento da bolsa).

28) Puxos precoces (treinar fazer "a" força, antes que a mulher possa sentir os puxos).

29) Puxos dirigidos ("faça força agora", "força comprida", etc).

30) Manobra de Valsalva (orientar a "trincar os dentes e fazer força").

31) Desestimular a escolha pela mulher da posição/ambiente em que quer parir.

32) Manobra de Kristeller (empurrar o fundo do útero)/pressão de qualquer intensidade no fundo uterino/"só uma ajudinha".

33) Manobra de "divulsão" perineal e/ou massagem perineal sem consentimento da mulher.

34) Episiotomia.

35) Não permitir o nascimento espontâneo.

36) Aplicar fórceps e vácuo de rotina e/ou sem autorização da mulher.

37) Sutura rotineira das lacerações.

38) Revisão instrumental do canal de parto de rotina (fórceps, vácuo extrator).

39) Cesariana intraparto sem indicação precisa e sem caráter de emergência.

40) Ligadura precoce do cordão, sem aguardar parar de pulsar.

41) Entregar um bebê vigoroso ao neonatologista para secar e aquecer, afastando-o da mãe.

42) Aspiração de rotina das vias aéreas do recém-nascido.

43) Passagem de sonda de rotina no recém-nascido, para pesquisar atresia de coanas, atresia de esôfago e ânus imperfurado.

44) Uso rotineiro de Credé (colírio de nitrato de prata).

45) Levar bebês saudáveis para o berçário.

46) Fazer qualquer procedimento com o RN sem consultar e obter autorização dos pais.

47) Não permitir o delivramento (saída da placenta) espontâneo.

48) Revisão manual da cavidade uterina de rotina, mesmo em casos de cesárea anterior.

49) Oferecer bicos, chupetas, mamadeiras, com leite artificial para o recém-nascido.

50) Aplicar vacinas sem o consentimento e autorização dos pais.

(por Ingrid Lotfi com supervisão técnica de Melania Amorim e Maíra Libertad)

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Método Canguru: O Calor que Salva Vidas

Vantagens
· aumenta o vinculo mãe‑filho
· reduz o tempo de separação mãe‑filho
· melhora a qualidade do desenvolvimento neurocomportamental e psico‑afetivo do RN de baixo peso
· estimula o aleitamento materno, permitindo maior freqüência, precocidade e duração
· permite um controle térmico adequado
· favorece a estimulação sensorial adequada do RN
· contribui para a redução do risco de infecção hospitalar
· reduz o estresse e a dor dos RN de baixo peso
· propicia um melhor relacionamento da família com a equipe de saúde
· possibilita maior competência e confiança dos pais no manuseio do seu filho de baixo peso, inclusive apos a alta hospitalar

Primeira etapa
Período que se inicia no pré natal da gestação de alto risco seguido da internação do RN na Unidade Neonatal. Nessa etapa, os procedimentos deverão seguir os seguintes cuidados especiais:
· Acolher os pais e a família na Unidade Neonatal.
· Esclarecer sobre as condições de saúde do RN e sobre os cuidados dispensados, sobre a equipe, as rotinas e o funcionamento da Unidade Neonatal.
· Estimular o livre e precoce acesso dos pais a Unidade Neonatal, sem restrições de horário.
· Propiciar sempre que possível o contato com o bebê.
· Garantir que a primeira visita dos pais seja acompanhada pela equipe de profissionais.
· Oferecer suporte para a amamentação.
· Estimular a participação do pai em todas as atividades desenvolvidas na Unidade.
· Assegurar a atuação dos pais e da família como importantes moduladores para o bem estar do bebê.
· Comunicar aos pais as peculiaridades do seu bebê e demonstrar continuamente as suas competências.
· Garantir a puérpera a permanência na unidade hospitalar pelo menos nos primeiros cinco dias, oferecendo o suporte assistencial necessário.
· Diminuir os níveis de estímulos ambientais adversos da unidade neonatal, tais como odores, luzes e ruídos.
· Adequar o cuidar de acordo com as necessidades individuais comunicadas pelo bebê.
· Garantir ao bebê medidas de proteção do estresse e da dor.
· Utilizar o posicionamento adequado do bebê, propiciando maior conforto, organização e melhor padrão de sono, favorecendo assim o desenvolvimento.
· Assegurar a permanência mãe, durante a primeira etapa. Auxilio transporte, para a vinda diária a unidade pelos estados e/ou municípios.
Refeições durante a permanência na unidade pelos estados e/ou municípios.
Assento (cadeira) adequado para a permanência ao lado de seu bebê e espaço que permita o seu descanso.
Atividades complementares que contribuam para melhor ambientação, desenvolvidas pela equipe e voluntários.

Segunda etapa
Na segunda etapa o bebê permanece de maneira continua com sua mãe e a posição canguru será realizada pelo maior tempo possível. Esse período funcionara como um “estagio” pré alta hospitalar.
2.1 São critérios de elegibilidade para a permanência nessa etapa:
2.1.1 Do bebê
- estabilidade clinica
- nutrição enteral plena (peito, sonda gástrica ou copo)
- peso mínimo de 1.250g.
2.1.2 Da mãe
- desejo de participar, disponibilidade de tempo e de rede social de apoio
- consenso entre mãe, familiares e profissionais da saúde
- capacidade de reconhecer os sinais de estresse e as situações de risco do recém nascido
- conhecimento e habilidade para manejar o bebê em posição canguru.

2.2 Permitir o afastamento temporário da mãe de acordo com suas necessidades.
2.3 Acompanhar a evolução clínica e o ganho de peso diário.
2.4 Cada serviço deverá utilizar rotinas nutricionais de acordo com as evidências científicas atuais.
2.5 A utilização de medicações orais, intramusculares ou endovenosas intermitentes não contraindicam a permanência nessa etapa.
2.6 São critérios para a alta hospitalar com transferência para a 3ª etapa:
- mãe segura, psicologicamente motivada, bem orientada e familiares conscientes quanto ao cuidado domiciliar do bebê
- compromisso materno e familiar para a realização da posição pelo maior tempo possível
- peso mínimo de 1.600g
- sucção exclusiva ao peito ou, em situações especiais, mãe e família habilitados a realizar a complementação
- assegurar acompanhamento ambulatorial ate o peso de 2.500g
- a primeira consulta devera ser realizada ate 48 horas da alta e as demais no mínimo uma vez por semana
- garantir atendimento na unidade hospitalar de origem, a qualquer momento, até a alta da terceira etapa.

Terceira etapa
Esta etapa se caracteriza pelo acompanhamento da criança e da família no ambulatório e/ou no domicilio ate atingir o peso de 2.500g, dando continuidade a abordagem biopsicossocial.
3.1 Ambulatório de acompanhamento
São atribuições do ambulatório de acompanhamento:
· realizar exame físico completo da criança tomando como referencias básicas o grau de desenvolvimento, o ganho de peso, o comprimento e o perímetro cefálico, levando-se em conta a idade gestacional corrigida
· avaliar o equilibrio psicoafetivo entre a criança e a família e oferecer o devido suporte
· apoiar a manutenção de rede social de apoio
· corrigir as situações de risco, como ganho inadequado de peso, sinais de refluxo, infecção e apneias
· orientar e acompanhar tratamentos especializados
· orientar esquema adequado de imunizações.
3.2 O seguimento ambulatorial deve apresentar as seguintes características:
- ser realizado por medico e/ou enfermeiro, que, de preferência, tenha acompanhado
o bebê e a família nas etapas anteriores
- o atendimento, quando necessário devera envolver outros membros da equipe
interdisciplinar
- ter agenda aberta, permitindo retorno não agendado, caso o bebê necessite
- o tempo de permanência em posição canguru será determinado individualmente
por cada díade
- apos o peso de 2.500g, o seguimento ambulatorial devera seguir as normas de
crescimento e desenvolvimento do Ministério da Saúde.

Fonte: Manual Técnico Método Canguru
SerMÃE consultoria - Por Raquel Loureiro